Ciências Biológicas atuará no Parque da Taquara
Uma letra, um poeta e um sonho que vão além da composição de Águas de Março, do poeta Tom Jobim. “É
um resto de mato, na luz da manhã / São as águas de março fechando o verão / É promessa de vida no
teu coração”, Baixada Fluminense. Salvar a última sinfonia – formada por canário-da-terra,
rendeira, coleiro, entre outras aves, dezenas de espécies de mamíferos, anfíbios e répteis –
assegura o sonho de quem adora a terra onde canta o sabiá. As plantas, também em extinção, aguardam
seus defensores no Parque Natural Municipal da Taquara, situado em Santa Cruz da Serra, em Duque de
Caxias.
O objetivo central é preservar a fauna e a flora dessa região, com a ajuda que chega pelo
ensino de Ciências Biológicas. Cerca de 60 estagiários do 6º período de Ciências Biológicas,
professores e gestores do curso de Ciências Biológicas da Unigranrio, sob a batuta do diretor do
Instituto de Biociências (IBC), Carlos Burity, vão pesquisar os quatro cantos desse Parque,
protegido pelo Sistema Nacional de Meio Ambiente (Sisnama). Eles participaram de um encontro para
tratar dos detalhes desta ação conjunta.
Legado verde – Arody Herdy, reitor da Universidade Unigranrio, falou sobre a
importância desse convênio: “É um momento único na história de nossa instituição. Vamos preservar
esse patrimônio verde com o mesmo afinco com que mantemos, ao longo de décadas, a nossa tradição
educacional. O compromisso também é com nossos filhos, familiares, como um legado às futuras
gerações. Hoje, ao voltar para casa, vou dizer aos meus familiares que estamos preservando parte
daquilo que é obra do Criador. Parabéns a todos os envolvidos na parceria!”, enfatiza Arody.
O secretário de Meio Ambiente de Duque de Caxias, Fernando Figueiredo, foi fundamental neste
projeto: “Falo em nome de todos e agradeço a presença de estudiosos da Unigranrio, que darão
suporte a esse convênio, tão importante para nossa população”.
Carlos Burity já visualiza seus professores, alunos e parceiros em plena atividade no Parque
da Taquara: “Estou satisfeito em ver nossa equipe, completamente concentrada em seus afazeres, e
estimulando a iniciação científica dentro dessa unidade de conservação”.
Diretora do Parque realiza sonho ecológico – Vera Lúcia Rocha, diretora do Parque,
é a responsável pela execução dessa parceria. “Meu sonho começa a ser realizado, a partir de hoje,
depois de um ano e meio de planejamento. Receber alunos e professores da Unigranrio em busca de
estudos e pesquisas é motivo de orgulho e de alegria. O que existe dentro do Parque da Taquara é um
privilégio em termos de natureza. A chegada do laboratório natural e experimental dará
autenticidade às nossas metas. Termino meu discurso com um agradecimento ao biólogo Nélson Barroso,
cujo trabalho me comove”, disse ainda.
A pró-reitora Comunitária e de Extensão, Sônia Mendes, fez um trocadilho logo de cara: “Quero
que esse trabalho deixe raízes! A formação de nossos alunos, com este campo de trabalho, faz o
diferencial desse curso. Nosso objetivo junto ao Parque é somar esforços para que essa natureza
permaneça rica e viva”.
O pró-reitor de Pós-Graduação e Pesquisa, Protasio Ferreira e Castro, disse que “a pesquisa
nada mais é que curiosidade científica. Isso é que faz o desenvolvimento do homem, em todos os
sentidos”. Ele se lembra do trecho do próprio Hino Nacional: “Teus risonhos lindos campos têm
mais flores/Nossos bosques têm mais vida…”. O professor acrescenta: “Se a próxima guerra vier
atrelada à falta de água no Planeta, pior será a poluição causada pelos povos”. Ele concluiu com
uma frase de um dos principais pensadores chineses: “Confúcio dizia: Quem domina a água, domina o
religioso, e quem domina o religioso, governa”.
Batalhão de Polícia Florestal: boas e más notícias – Eduardo Frederico de
Oliveira, comandante do Batalhão de Polícia Florestal e de Meio Ambiente (BPFMA), aproveitou para
dar boas e más notícias: “Essa instituição completa 20 anos de atuação, mas muitos de nossos
policiais já perderam a vida em defesa do meio ambiente, vítimas de emboscada, principalmente”.
Neste ano, até setembro, foram apreendidos, pelo batalhão 1.870 animais silvestres, e 8 mil
pessoas receberam atendimento diferenciado. Segundo o tenente-coronel Eduardo, os crimes contra a
fauna, a flora e a pesca ilegal já ultrapassam todos os índices de 2005. “Tenho 400 homens para
atuar no Estado do Rio, em 15 postos distintos; o que ainda é pouco, frente às denúncias que chegam
diariamente”, lamenta.
Aula prática acontece no dia 23 de novembro - Leandro Duarte da Cruz, biólogo da
Unigranrio, começa a catalogar informações e fotos significativas, como a de uma onça-pintada, além
do mico-leão-dourado. A missão é identificar, a partir de 23 de novembro, gaviões, araras,
papagaios, arapongas, periquitos e outras espécies, numa aula que reunirá 33 acadêmicos nessa
região. “O trabalho visa a coletar material de fauna e flora para ser analisado nos laboratórios da
Unigranrio. A caminhada ecológica servirá para ampliar as informações sobre os animais e plantas,
já existentes no Parque”.
Este pedaço de Mata Atlântica será oxigenado por idéias e ações que darão suporte a
trabalhos científicos e a pesquisas, vinculados a instituições de ensino superior. “Nossos alunos
buscarão alternativas junto à prefeitura de Duque de Caxias, para estudos que viabilizem a
reprodução de espécies em extinção”, comenta Leandro.
Sabe-se que o homem lança na água, no ar e no solo as mais diferentes substâncias tóxicas,
provocando, sobremaneira, a matança de animais silvestres e aquáticos, além da destruição de matas
e florestas. Quem acredita em mudança, semeia o presente, destacaram os pesquisadores.
Principais ações - Patrícia Domingos, professora do curso de Ciências Biológicas,
garante que haverá ganhos em diferentes áreas: “Na área acadêmica, faremos os primeiros estudos
voltados à preservação, que serão úteis a todos, inclusive à população do entorno. A comunidade
será beneficiada à medida que souber da vantagem que essa ação ecológica trará em sua vida”.
A parceria ampliará a política ambiental nessa região, com estudos científicos em
laboratórios de campo. Patrícia apresentou etapas dessa parceria com a Secretaria de Meio Ambiente:
“Faremos o levantamento da fauna de anfíbios, de primatas, com objetivo de identificar o tamanho
dessa população, sua área de ocupação e possíveis ameaças. Provocaremos estudos genéticos”, explica
a professora.
E na explanação, Patrícia especificou questões relevantes nessa primeira fase do projeto: ”
Vamos inventariar espécies de microalgas, identificar a qualidade da água local, avaliar possíveis
impactos sobre os sistemas aquáticos (Rio Taquara e Reservatório), a comunidade bacteriana de solo,
dos sistemas aquáticos e colimetria dos cursos d’água, além de aspectos da formação geológica”.
Esse encontro também contou com a presença da coordenadora do curso de Tecnólogo em Meio
Ambiente, Tereza Venezuela.
Tom Jobim, aí de cima, abençoe essa gente – É pau, é pedra, é o ínicio do caminho.
Os mais variados tipos de cedros, ipês, jequibás, a Cachoeira Véu da Noiva e o cenário maravilhoso
do entorno do Parque levarão para lá outros estudiosos da Unigranrio. A professora Patrícia e sua
equipe de trabalho juntar-se-ão aos acadêmicos de Turismo e de Meio Ambiente na direção do
ecoturismo. O famoso Caminho do Ouro será um aperitivo para que haja estudo integrado, inserção
social e preservação ambiental.

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