Anderson Sá fala sobre Favela Rising e AfroReggae
Nesta última quinta-feira (26), às 18h30m, o curso de Comunicação Social da Unigranrio promoveu o filme Favela Rising, seguido de bate-papo com o líder do Grupo AfroReggae, Anderson Sá, protagonista desse filme, de autoria dos americanos Jeff Zimbalist e Matt Mochary. Mais de 200 pessoas aplaudiram esse documentário, no auditório dessa universidade. O público viu um retrato de uma experiência que deu certo numa favela do Rio, onde depois da Chacina de Vigário Geral - quando 21 pessoas morreram - nascia o AfroReggae, em 1993, que leva cultura e oportunidades às comunidades pobres acostumadas com a violência.
Gente que faz - Hoje, “mais de 300 pessoas trabalham conosco em 74 projetos sociais, na maior parte das favelas do Rio e até em países como Inglaterra, Índia e China”, conta Anderson. Os acadêmicos viram como é possível sobreviver ao redor desse emaranhado de contravenções, onde normalmente as regras são ditadas pelo tráfico.
Volta por cima - A volta por cima aconteceu com gente séria, sofrida, arrastada pela sede de transformar a coroa de espinhos em projetos de vida. Foi nessa batida que o AfroReggae entrou na comunidade com a força do tambor, no ritmo de sonhos possíveis e na crença que cada um pode fazer a sua própria mudança com talento, determinação, sentimento humanitário e muito trabalho.
AfroReggae roda o mundo - Nesse longa exibido para 200 alunos de Comunicação Social, a figura central é a mesma que detalha como foi sua batalha para sair do cenário de trevas e chegar ao movimento de maior expressão, tanto em Vigário geral, assim como nas maiores metrópoles do mundo. “Já rodei por várias cidades dos EUA e do mundo. O AfroReggae conta com vários grupos representantes, que levam a nossa mensagem contra a violência e arbitrariedades praticadas no morro e no asfalto”, explica Anderson.
Até a criminalidade respeita o AfroReggae - O líder do AfroReggae adianta que as transformações acontecem, até com apoio dos chefões do tráfico. “Já tiramos fogueteiros e pessoas envolvidas com drogas que estão nas frentes de trabalho de nossa ONG. Até um ex-chefe do tráfico mudou de lado e, hoje, está envolvido com ações sociais em um de nossos projetos”, relata Anderson.
Missão além da música - As oficinas promovidas pela ONG AfroReggae deram asas a Anderson Sá, que se destacou como vocalista e porta-voz desse grupo. Enquanto ele fala, nota-se que há uma preocupação constante com o exemplo a ser passado às crianças marginalizadas de todo o país. “Ainda fico emocionado quando lembro de toda essa trajetória e do destino de muitos de nossos irmãos, parentes e amigos. Muitas das crianças e adolescentes de Vigário Geral sabem que há vida além do tráfico. Nossa missão vai muito além da música, mas é ela que garante a confiabilidade de nossos propósitos. Há muita gente, até no exterior, querendo dar milhões para ver suas marcas estampadas com o nosso nome. Estamos atentos para os limites”, adverte Anderson.
Confissões de um garoto de 10 anos comove platéia - As evidências dessa história estão divididas em filmes já vistos, como “Cidade de Deus”, “Tropa de Elite”, entre outros. Um dos momentos mais fortes desse documentário acontece quando Anderson conversa com um menino de 10 anos. Na tela, ao ser perguntado qual a profissão que pretende seguir, o garoto responde que “quero ser bandido, porque eles são ricos e têm poder”. Pelo visto, os diretores já conseguiram resultados incríveis, após a exibição desse filme na comunidade e, é claro, após uma longa conscientização através de trabalhos comunitários. O tráfico seduz crianças com incrível facilidade. Essa frase é de uma aluna, que acabara de ver uma cena de muita tensão, quando um jovem que trabalha no tráfico faz algumas confissões.
Érica, do curso de Comunicação Social, queria saber a opinião de Anderson sobre o ingresso de jovens infratores na ONG AfroReggae - Ele explica que “os jovens envolvidos com drogas e processos criminais passam por uma avaliação, sempre com apoio de advogados, psicólogos e assistentes sociais. É preciso entender que pessoas anistiadas assinam um acordo e, se há algum delito ao longo do trabalho na ONG, damos baixa no contrato e avisamos que essa pessoa está desligada das ações sociais”.
Victória Régia, acadêmica, ouviu de Anderson sobre a repercussão do filme no exterior - “Nosso documentário foi indicado pelos organizadores do Oscar como um dos 25 melhores, em todo o mundo. Os diretores desse filme debutaram nesse tipo de filme e nem contávamos com ajuda de marketing para divulgá-lo”, acrescenta.
Daniel, do curso de Comunicação Social: “Houve preconceito das pessoas, ao saber que vocês são de Vigário geral?” - Anderson explica que o trabalho do AfroReggae não começou em Vigário Geral: “Iniciamos no Centro do Rio, onde demos início com o AfroReggae Notícia, sobre cultura negra e , a partir daí, montamos o trabalho social em Vigário. Hoje, ainda há gente que mistura o trabalho social com a banda AfroReggae. Em São Paulo, Salvador e no Nordeste, o público conhece bem nossos objetivos e projetos. Acredito que o preconceito acaba quando buscamos a qualidade de vida da população”.
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oiii sou gaucha de Pelotas (RS) e Assistente Social. Estou conhecendo o trabalho social da ONG e gostaria muito de visita-la em 2010. Estarei ai no Rio e gostaria de ter a oportunidade de conhecer o espaço do Grupo AfroReggae desde ja quero dizer q estou apaixonado por esse trabalho parabéns
Foi maravilhosa a vinda do Anderson na facul.Eu adorei e fiquei muito comovida pois passei por coisas parecidas…
Espero q seja sempre assim,que tudo que aprendamos só some e nada diminua.