Minc participa de palestra sobre rumos da política ambiental

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Minc apresenta suas principais ações nos últimos anos, à frente da Secretaria e do Ministério do Meio Ambiente

O deputado estadual Carlos Minc marcou presença no auditório da Unigranrio Caxias com seu tradicional colete, onde cerca de 80 alunos participaram de sua palestra “Rumos da política ambiental”. O publico viu o ex-ministro do Meio Ambiente frente a uma exposição de seus feitos no governo Lula, além de projetos em andamento no Estado do Rio de Janeiro. Minc, também ex-secretário do Meio Ambiente, respondeu a perguntas de professores e alunos, além de algumas formuladas pelo Portal Unigranrio. Ele ressaltou, ainda em tom de ministro, que a luta pela sustentabilidade ambiental permanece firme, com exemplos positivos de projetos, como ICMS Verde, Fundo Amazônia, Turismo nos Parques, Parque Nacional da Serra dos Órgãos, Iguaçu/Botas e Sarapuí, e a previsão de fechamento do Lixão de Gramacho.

Carlos Minc lembrou que INEA acelera licenciamentos ambientais e impulsiona o mercado de trabalho - Quando ainda estava à frente do Ministério do Meio Ambiente, Minc deu impulso para a criação do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), que segundo ele, juntou agendas conflitantes como as áreas ligadas às florestas, questões hídricas e de meio ambiente. O público ouviu um discurso contundente e repleto de dados, embora um tanto panfletário: “Fizemos o primeiro concurso com abertura de 330 quadros, após 30 anos, e criamos nove agências regionais, descentralizando o estado por bacias hidrográficas, com a presença de ouvidorias e corregedorias. Também fizemos convênios com os municípios, com objetivo de contratar biólogos, engenheiros florestais, químicos, geógrafos, advogados e técnicos. Com isso, permitimos que 42 municípios passem a processar licenciamentos de empreendimentos de pequeno e médio porte, na proporção de seu quadro técnico. O Arco Rodoviário, o Comperj e o Pólo Siderúrgico de Itaguaí são alguns geradores de milhares de empregos, que se destacam a partir dessa nova política de governo”, explanou Minc. Segundo ele, um licenciamento que demorava cerca de três anos para ser aprovado, hoje, leva apenas seis meses.

Minc rebate informações de que o estado do Rio perdeu 300 hectares de Mata Atlântica - Ele não economizou números quando apresentou planos de combate ao desmatamento: “A Mata Atlântica tem estratégia bem diferente à da Amazônia, porque enquanto ela tem 85% preservada, a Mata Atlântica destaca-se pelo oposto, com 85% de prejuízo. Nossa meta é dobrar a cobertura da mata Atlântica nos próximos 10 anos. O Rio de Janeiro diminuiu em mais de 70% o desmatamento, nos últimos três anos. Passou de 1.080 hectares para 320 hectares. Replantamos 4,5 milhões de árvores, o equivalente a 1,5 mil hectares”, informa Minc, ao rebater informações de que esse estado perdera 300 hectares de Mata Atlântica.

Rogério César, professor de Gestão ambiental da Unigranrio, pediu solução para o aterro de Jardim Gramacho

Rogério César, professor de Gestão ambiental da Unigranrio, pediu solução para o aterro de Jardim Gramacho

Rogério César, professor de Gestão ambiental da Unigranrio, perguntou sobre o destino do Lixão de Jardim Gramacho - Rogério preferiu formular uma pergunta voltada aos interesses da Baixada Fluminense: “O que o senhor poderia nos falar sobre o gerenciamento de resíduo no aterro sanitário da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, com destaque ao destino ao Lixão de Jardim Gramacho”, indaga.

Resposta de MIC anuncia o fechamento do Lixão, criação de aterro sanitário, apoio da Petrobras e valorização da mão de obra local

“A desativação deste lixão deverá ocorrer até o fim deste ano, quando tudo deverá ser lacrado. Estamos atentos aos apelos vindos dos que trabalham junto ao lixão da Comlurb, no Jardim Gramacho. As três mil pessoas que trabalham diretamente na coleta de materiais, além daquelas que trabalham no entorno desse lixão, terão atendimento diferenciado. Já temos o licenciamento para a instalação do aterro sanitário, de onde a Petrobras comprará o metano de Gramacho, revertendo R$10 milhões por ano aos catadores de papel. Esse dinheiro funcionará como fundo de valorização para reciclá-los, para urbanizar o bairro de Jardim Gramacho e fazer com que o chorume não vaze para a Baía de Guanabara”.
Portal O que o senhor tem a dizer sobre o desmonte da política ambiental brasileira, já que o orçamento do Ministério do Meio Ambiente é menor do que 1% do orçamento federal?

Minc - “O orçamento do Ministério do Meio Ambiente é pequeno, mas temos outros recursos fora da esfera orçamentária. Com apoio do presidente Lula, criamos o Fundo Amazônia, que será usado em ações de combate ás mudanças climáticas. A Noruega doou R$1 bilhão para esse projeto, cuja gestão terá a participação do BNDEs. Foram escolhidos seis ministérios para dinamizar os recursos, que serão aplicados em pagamentos por serviços ambientais, unidades de conservação, monitoramento da Amazônia, apoiar extrativismo, apoiar empreendimento sustentável, formar corredores de biodiversidade, entre outros. O Fundo da Mata Atlântica é outro exemplo de recursos privados, assim como fundo de compensação ambiental, com objetivo de implementar os parques, com apoio da Caixa Econômica Federal”.

Professora de Ciências Biológicas da Unigranrio Patrícia Domingos formulou pergunta sobre os avanços nas questões ambientais no estado

Professora de Ciências Biológicas da Unigranrio Patrícia Domingos questiona avanços ambientais no estado - Ela perguntou a Carlos Minc quais os avanços na área de meio ambiente para o nosso estado e o que ainda está na contramão da sustentabilidade.

Minc - “Acho que o Rio de Janeiro avançou na sua estrutura, porque o ICMS Verde chega para apoiar muitos projetos importantes. Passamos a tratar melhor nossos esgotos, elevando a taxa de 20% para 30%, nos últimos anos. Estados como Rio Grande do Sul e Paraná estão com nível de tratamento de esgoto maior que o nosso. Posso afirmar que 92% dos municípios brasileiros têm lixões. No último informativo do SOS Atlântica, publicado dia 27 de maio, os técnicos divulgaram que o Rio de Janeiro foi o estado que menos desmatou a Mata Atlântica. Eu trouxe o presidente Lula a Petrópolis, em setembro de 2008, quando assinamos o projeto Turismo nos Parques; dobramos a área do Parque Nacional da Serra dos Órgãos; tiramos um projeto importante que dormia nas gavetas de outros governantes e injetamos R$200 milhões para projetos de controle de inundações e recuperação ambiental das bacias dos rios Iguaçu/Botas e Sarapuí, área que abrange sete municípios da Baixada Fluminense. Se a Baixada já inunda desse jeito, imagine daqui a 30 anos, quando o nível do mar subir 35cm. As obras de adaptação são vitais para resolver tais questões”, responde Minc.

Portal Unigranrio - Os danos e a degradação ambiental, gerados pela falta de planejamento urbano, fazem parte de um pacote que reúne ausência de infraestrutura para tratamento de esgotos, redução de efluentes industriais, má adequação ao lixo descartado por milhões de pessoas e descaso de políticos, em todo o Brasil. Enquanto o Planeta Terra pede solução urgente, vemos a sangria de petróleo no Golfo do México e nossos governantes em ritmo alucinante pelo leilão dos royalties do Pré-Sal. Será que a inteligência humana resolverá tudo o que pode causar ameaça à vida e à preservação da espécie?

Minc: as pessoas ainda confundem lixão com aterro sanitário - Ele dispara sua artilharia verde, enquanto explica os desdobramento de sua gestão à frente de duas pastas importantes, com apoio do governo e de iniciativas privadas: “Vemos o lixo como matéria-prima, que entrará na cadeia produtiva com apoio das cooperativas. Constatamos que 84 municípios do estado têm lixões. Isso comprova que o lixão é a síntese do drama social com drama ambiental. Nesse cenário, vemos a contaminação do solo, do lençol freático, da água e dos animais, assim como é dramático ver crianças e mulheres à cata de lixo, sem luvas e botas, no meio de sangue, seringas e objetos nocivos à saúde. Nova Iguaçu, hoje, tem um belo aterro sanitário, que capta o metano e ganha crédito de carbono da Holanda. Com isso, paga 50% do custo de funcionamento daquele aterro. Conseguimos recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) e da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), mas o que ainda falta explicar aos incrédulos é que as pessoas confundem lixão com aterro sanitário. O lixão é o problema e o aterro sanitário a solução. Petrópolis é outra cidade que aboliu o lixão, assim como outras que já contam com apoios de consórcios”, enfatiza.

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