Gestão Ambiental da Unigranrio/Macaé visita a Rio+20

O cacique Raoni Metuktir (83), da tribo caiapó, posa ao lado da professora de Gestão Ambiental Ana Paula Silva (E) e da aluna Aline Bonfim Barreto.

A visita de diversos alunos de Gestão Ambiental/Macaé ao cenário da Rio+20, na Cúpula dos Povos, no Flamengo, vai ficar na memória e no currículo de nossos acadêmicos, que não economizaram tempo e interesse nas palestras sobre desenvolvimento sustentável, em debates, tendas de ONGs, além de comentários sobre o texto aprovado por representantes de 193 países, no Riocentro. No campus Macaé haverá um ciclo de estudos sobre os resultados da Rio+20 e a respeito da retirada de pontos importantes que deixaram o documento final com fachada de ‘boas intenções’.

Os alunos de Gestão Ambiental do campus Macaé marcam presença na Rio+20.

Rio+20, 30, 40, 50? - O diretor Regional do campus Macaé, Cesar Gomes de Sá, e Ana Paula da Silva, coordenadora-adjunta do curso de Gestão Ambiental da Unigranrio/Macaé, também acompanharam nossos alunos à Rio+20. Acompanhe as entrevistas que fizemos com eles e, ainda, o encontro especial com o cacique Raoni, na tenda indígena. Pelo que vimos, a falta de diálogo entre os líderes mundiais e a comunidade científica ambiental adia para 2014 muitas decisões que deveriam ocorrer ainda neste ano, como economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável, erradicação da pobreza e questões que estão no gargalo desse documento: combustíveis, minérios, madeira, metais, água e ecossistemas. Apenas para reflexão, até 2050, a população mundial chegará a 9 bilhões de habitantes.

Aline Bonfim, ao lado de sua professora de Gestão Ambiental Ana Paula da Silva, durante uma das palestras.

Cacique Raoni: um índio preservado em pleno corpo físico, em palavras, alma e gestos. Caetano Veloso, que se apresentou no Forte de Copacabana, bem que poderia estar ao lado do cacique Raoni Metuktir (83), da tribo caiapó. Ele transcende a canção composta pelo baiano e, ainda hoje, é referência nas questões indígenas, na Cúpula dos Povos. A professora Ana Paula da Silva e sua aluna de Gestão Ambiental Aline Barreto estiveram ao lado de Raoni (veja foto) e do indigenista Sérgio Vahia.

Indigenista atua como porta-voz de Raoni – Indigenista Sérgio Vahia, que já demarcou o centro geográfico do Brasil, no Mato Grosso, estava à vontade para criticar o descaso com a causa indígena e a preservação da Amazônia: “A guerra é muito grande, porque os interesses dos que aqui estão refletem a ganância da sociedade mundial. Hoje, os índios são conhecidos como vagabundos, mas o que mais vemos no Alto Xingu é latrocínio, onde nossos índios estão morrendo. Observamos diariamente os fazendeiros que desmatam e acabam com a água e a terra deles. Como brigar com os donos da soja”, indaga Sérgio.

“Índio não dá voto e não produz dinheiro” – Para Sérgio Vahia, a Funai foi prejudicada pelo Partido dos Trabalhadores: “No governo do PT, vimos muitas coisas erradas, porque o pessoal que foi colocado para administrar os interesses da Funai trabalhou em causa própria. O grande problema é que o índio não dá voto e não produz dinheiro”.

Ana Paula da Silva, coordenadora-adjunta do curso de Gestão Ambiental da UnigranrioMacaé.

Professora de Gestão Ambiental de Macaé leva seus alunos à Rio+20 - Ana Paula da Silva, professora e coordenadora-adjunta do curso de Gestão Ambiental da Unigranrio/Macaé, acredita no objetivo da visita de seus alunos à Rio+20, que é promover o entendimento sobre a questão da sustentabilidade discutida na conferência: “Nossos alunos estão conhecendo o que os líderes mundiais e a sociedade civil estão promovendo para este encontro tão importante. Estou na expectativa para saber o que será definido no documento que irá para a ONU. Espero que as metas do desenvolvimento sustentável sejam cumpridas, assim como os acordos que ocorrerão neste encontro, mas com prazos definidos. A Agenda 21 ainda não saiu do papel, mas há indícios de que a sociedade, hoje, exige prazos mais urgentes e ações concretas”, explicou.

Sobre o mercado de trabalho para alunos de Gestão Ambiental, em Macaé, Ana Paula tem boas notícias: “Como a atividade petrolífera cresce a cada dia, o potencial de impacto ambiental desse desenvolvimento abre espaço para o gestor ambiental, cuja legislação ambiental dará suporte aos profissionais dessa área. Nossos alunos poderão em breve atuar no controle do crescimento da atividade de petróleo, em harmonia com a sustentabilidade socioambiental da região. Nós vamos debater as principais decisões da Rio+20 com nossos alunos, em Macaé, para que eles entendam e conheçam tudo o que será pautado nas próximas conferências, simpósios e discussões”, define Ana.

O diretor Regional do campus Macaé, Cesar Gomes de Sá, acompanhou s alunos de Gestão Ambiental à Rio+20.

Cesar Gomes de Sá, mestre em Políticas Públicas e diretor-Regional da Unigranrio dos campi Macaé e Silva Jardim, conduziu os alunos de Gestão Ambiental à Rio+20, tendo em mente mostrar a todos que o desenvolvimento de uma carreira profissional requer reflexões e participações nos grandes centros de decisão. A viagem de van, de Macaé para o Rio, era apenas um motivo de alegria, já que todos aguardavam a hora de desembarcar no ambiente verde das discussões e debates.

Novas metas - César de Sá explica que o direito ambiental está em seu DNA profissional, assim como o direito constitucional. Para definir as suas metas para o novo campus, ele informa que “são as melhores possíveis, porque a Unigranrio deseja levar para os municípios de Macaé e de Silva Jardim a credibilidade da Unigranrio, adquirida em mais de 42 anos de atividades educacionais em todo o estado”.

Os ideais e a quebra de paradigmas – César de Sá percorreu a Cúpula dos Povos, viu algumas palestras importantes, ao lado de alunos e da professora Ana da Silva, e registrou tudo o que podia: “Hoje é uma data histórica para nós, porque estamos aqui na Rio+20 com vários acadêmicos de Gestão Ambiental, num encontro que representa muito mais do que educação ambiental. É a oportunidade de fazer troca de saberes com outros segmentos da sociedade e com cidadãos que compartilham causas muito nobres para toda a humanidade. Todos nós sairemos com uma visão mais ampla sobre ações internas e sobre como os líderes mundiais agirão frente às propostas para um mundo melhor”, enumerou.

Árvore confecionada com garragas Pet.

Alunos de Gestão Ambiental participam de aulas ao ar livre e formulam perguntas na Rio+20 – Como uma grande sala de aula ao ar livre, as tendas da Rio+20 também receberam nossos alunos: “Dentro da temática do evento, participamos de palestras muito boas, onde vimos, por exemplo, um projeto do Paraná sobre agricultura familiar, conservação dos recursos hídricos, plantas medicinais e fitoterapia. Fiquei muito feliz por saber que nossos alunos foram os únicos que formularam perguntas após o término das palestras”, comemora César de Sá.

De mãos dadas com a comunidade de Macaé – o diretor César de Sá vai ampliar o diálogo entre a comunidade de Macaé e a Unigranrio:”Estamos estabelecendo novos canais de comunicação, a exemplo da Associação Comercial e Industrial de Macaé, que inova ao fazer parceria com uma universidade. Já estamos em negociação com o Convention & Visitors Bureau, que desenvolve ações de promoção turística na região de Macaé. Em outros projetos de nossa iniciativa, a Unigranrio/Macaé vai ao encontro da comunidade, sempre com base em seu lema, de ir além da sala de aula”, conta César de Sá.

Aline Bonfim Barreto, do 4º período de Gestão Ambiental, pretende trabalhar em tecnologia ambiental: “A cidade de Macaé cresceu muito e, apesar do desenvolvimento econômico, a população sofre com o desequilíbrio sustentável, despejo de esgoto sem tratamento e outros fatores que vêm comprometendo o ecossistema da cidade. Pretendo trabalhar na área de tecnologia ambiental, assim que eu concluir o curso de Gestão Ambiental”, confirma Aline, que acabara de assistir uma palestra sobre agroecologia.

1 Comentário

Yoshiharu Saito diz: 4 julho 2012 - 20:11

A Cúpula dos Povos, um evento muito mais legítimo, pungente e democrático que o engessado, manipulado e tendencioso RIO-20 (é isso mesmo… “menos 20″) revelou como os povos, etnias e classes sofrem os impactos negativos oriundos das atividades concentradoras de riquezas perpetradas pelas grandes corporações transnacionais e os governos a serviço deles.
A tenda “Rios, águas e povos” foi um terríve exemplo de como os discursos e ações baseadas na ecoeficiência subvertem TODOS os princípios de humanidade e equidade necessários ao reconhecimento do meio ambiente segundo seus usos e significações pelos grupos sociais que dependem da integridade ecológica de seus territórios.
O que pensar quando pequenas vilas e seus moradores são expulsos (muitos foram executados à bala) para darem lugar a barragens que obstruem o curso natural dos rios? Existe “custo x benefício” embutido no genocídio patrocinado pelas instituições multilaterais? E o que dizer do “Levante de Cochabamba”, quando o banco mundial impôs a privatização de todas as fontes de água (incluso a chuva) por uma empresa francesa como forma de promver o aporte financeiro de milhões de dólares para “equilibrar” a balança cambial?
Há dentro do discurso governamental (seja de que nação for) algo mais que o “empurrômetro abdominal” para as próximas gerações dos iminentes riscos de uma ecatombe ecológica com ares de extinção em massa? Talvez a única diferença esteja nas causas, que antes foram naturais e passam a ser por vontade própria.

Um graduando de GA do campus Caxias participou ativamente da organização do evento oficial e outros tantos como participantes da Cúpula dos Povos. Um caminho que deveria ter sido colocado como obrigatório no currículo acadêmico, mas o que se viu foi uma apatia e desconhecimento da grandiosidade de agregar e formar suficiente massa crítica para propor novos modelos e propostas mais coerentes com a multidisciplinaridade e transversalidade típicas da GA.

Enfim, há em alguns de nós luz e força para compor novos paradigmas pela integração natureza-sociedade que vá além daquilo que nos é apresentado em sala.

Termino com uma saudação ecossocial aos meus colegas de Macaé e Caxias citando Mahatma Gandhi:

“O mundo é suficientemente grande para atender à necessidade de todos, porém demasiadamente pequeno para a avareza de alguns”.

Yoshiharu Saito - Gestor Ambiental
Presidente do Fórum Ecossocial da Baixada Fluminense

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