Folha Dirigida divulga carreira de Medicina e entrevista alunos e professores da Barra
Medicina: Dedicação total à vida dos pacientes
Mário Boechat
Vocação, muito estudo e ética. Estes são elementos indispensáveis para quem deseja seguir a carreira de médico. No entanto, não é apenas isso que norteia os profissionais dessa área. O discurso vai além: é necessário ter compromisso e responsabilidade social, principalmente no Brasil, que ainda não oferece um serviço eficiente de saúde à população.
Bruno Coutinho de Oliveira, que estuda Medicina no campus da Barra da Tijuca da Universidade do Grande Rio (Unigranrio), escolheu a carreira por ela possibilitar a ativação desse lado social, de poder auxiliar ao próximo. E revela a emoção de ver uma pessoa curada. “Conseguir estampar no rosto de um paciente um sorriso onde antes havia lágrimas. Isso, para mim, é a maior recompensa que podemos ter”, afirma.
Para Adolpho de Azevedo Pinto, o gosto pela área de saúde foi preponderante para ingressar no curso de Medicina. O estudante, que já é graduado em Odontologia, vê a integração entre as profissões, o que facilitou a sua adaptação.
“A interação me possibilitou ter o acesso à rotina dos médicos e tive a oportunidade de observar o cotidiano da profissão. Dessa forma, pude refazer minha escolha profissional. A Medicina é a realização de um sonho pessoal e, por meio dela, tenho a possibilidade de lidar com a diversidade humana e de me relacionar com suas variadas facetas. É muito importante poder ganhar dinheiro com a carreira que escolhi e também auxiliar quem precisa.”
Os estudantes de Medicina têm uma vasta possibilidade para se especializar após os seis anos de curso superior. Adolpho de Azevedo Pinto já traçou alguns objetivos profissionais para os próximos anos.
“Pretendo realizar residência médica em algum centro de referência para minha melhor capacitação profissional e estar sempre me atualizando por meio de congressos, simpósios, cursos, e leitura regular de artigos científicos, livros, jornais e revistas da área. Pretendo, futuramente, elaborar meus próprios artigos e ministrar cursos e palestras baseados na minha vivência profissional”, sinaliza.
Farta oferta de empregos nos setores público e privado
A formação do médico, capaz de atuar em realidades sociais diferenciadas, em consonância com os princípios da ética e da dignidade humana, constitui um desafio da contemporaneidade. Essa é uma das concepções do curso de Medicina, que tem duração de seis anos, além das especializações e residências, necessárias para escolher a área de atuação.
Segundo o coordenador de Medicina do campus Barra da Tijuca da Universidade do Grande Rio (Unigranrio), André Nazar, há carência de médicos no país. “Diversas pesquisas revelam que o Brasil tem uma quantidade de médicos aquém da necessária para o atendimento à população. O principal motivo para esta carência é a locação espacial desordenada dos médicos, havendo um maior contingente onde a necessidade é menor, e um déficit quantitativo nas áreas mais pobres, rurais e distantes”, explica.
Quanto tempo dura o curso?
André Nazar - O curso de Medicina tem a duração de seis anos ou 12 semestres letivos, sendo os dois últimos anos de internato.
Quais são as disciplinas fundamentais?
Os princípios norteadores do curso de Medicina assentam-se em seis pilares que visam ao desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes imprescindíveis para a formação do médico generalista: ciências fundamentais da vida; atenção integral à saúde da criança e do adolescente; à saúde do adulto e do idoso; à saúde da mulher e do concepto; ao paciente cirúrgico e à saúde coletiva.
Como está o mercado de trabalho na área médica?
Considera-se a área médica uma das melhores no que tange à taxa de ocupação profissional, com salários e jornadas de trabalho variáveis, tanto no setor público quanto no privado.
Quais os campos de atuação do profissional e as funções desempenhadas por ele?
No Sistema Único de Saúde, o cuidado com a saúde está ordenado em níveis de atenção, que são a básica, a de média complexidade e a de alta complexidade. Essa estruturação visa à melhor programação e planejamento das ações e serviços do sistema. Porém, o médico deve garantir a integralidade do atendimento a sua população e estar apto a desempenhar as suas atribuições nos três níveis. As principais funções da boa prática do exercício da Medicina englobam a promoção, prevenção, recuperação e reabilitação à saúde.
Quais as habilidades necessárias para este profissional?
Conforme a resolução do Conselho Nacional de Educação, que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina, o profissional médico deve ter as seguintes competências e habilidades gerais: atenção à saúde, tomada de decisões, comunicação, liderança, administração, gerenciamento e educação permanente. Nesta concepção, buscamos formar um profissional generalista, humanista, crítico e reflexivo.
O que o estudante encontrará ao ingressar na graduação?
O ingressante do curso Medicina chega à universidade com uma visão de ser médico, que vai sendo modificada ao longo dos seis anos da sua trajetória universitária. O convívio com a realidade da saúde brasileira e as dificuldades impostas pela enormidade de conteúdos a serem adquiridos o torna um ser humano mais responsável, precocemente.
Qual é a média salarial de um médico? E para quem acaba de se formar?
A Federação Nacional dos Médicos divulgou, em janeiro de 2011, que o piso salarial dos médicos é de R$9.188,22, para uma jornada de 20 horas semanais de trabalho. Porém, um servidor público federal, com especialização, ganha, em média, R$2.800,00, para 20 horas semanais de trabalho. Para os médicos recém-formados e que estão realizando especialização (residência médica), o piso salarial é de R$1.916,45, para uma carga horária de 60 horas semanais de trabalho.
A carência de profissionais na área é grande? Qual é o motivo?
Diversas pesquisas revelam que o Brasil tem uma quantidade de médicos aquém da necessária para o atendimento à população. O principal motivo para esta carência é a locação espacial desordenada dos médicos, havendo um maior contingente onde a necessidade é menor, e um déficit quantitativo nas áreas mais pobres, rurais e distantes.
A voz da experiência
Um dos profissionais mais respeitados e conceituados, o médico trata da prevenção e da cura de doenças. Sua função social é muito mais do que deixar uma sociedade mais saudável e resistente a enfermidades. Ele deve zelar pelo humanismo e pelos princípios éticos da atividade, sem restringir sexo, cor, raça e classe econômica. Contudo, é exigido muita competência, uma vez que lida com a vida humana.
Com 52 anos ligados à Medicina, o cirurgião Pietro Novellino, presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), tem larga experiência na área de saúde. Como em qualquer carreira, o médico reitera que o profissional deve seguir sua vocação, sem se deixar levar por influências exteriores. Novellino explica ainda que o jovem estudante já percebe, durante as aulas mais básicas, qual especialidade vai seguir.
“Qualquer carreira deve ser escolhida pela vocação. Eu não teria outra especialidade dentro da Medicina que não fosse a Cirurgia. O importante é fazer com amor, no sentido de ter uma realização perfeita do que está fazendo. Pode ganhar muito dinheiro sem estar totalmente satisfeito. É um choque interno que pode causar problemas futuros até de ordem psicológica. O estudante de Medicina já percebe, logo de início, qual área vai seguir. Pode até mudar a especialidade depois, ficar decepcionado. Mas é uma decisão pessoal, ninguém pode se meter.”
A evolução dos tratamentos e diagnósticos médicos é importante para a cura de doenças e melhor avaliação de qual procedimento o médico deve ter diante de cada situação. No entanto, as descobertas tecnológicas vêm tornando a Medicina mais cara e diminuindo o acesso de muitos profissionais.
“A Medicina está se tornando mais cara, pois a tecnologia avança muito e o médico precisa acompanhar. Atualmente, o profissional fica muito exposto se não utiliza determinado tipo de aparelhagem ou exame, mesmo que às vezes seja difícil o acesso. Ele pode ser até processado pelo próprio paciente. Os métodos de imagem evoluíram bastante e os exames que conseguimos fazer deram um grande avanço, não apenas no diagnóstico, mas do ponto de vista do tratamento, afirma o cirurgião”.
A falta de médicos em hospitais é latente e alvo de muitas críticas da sociedade, que volta das unidades de saúde sem atendimento. Cirurgiões e pediatras são duas especialidades que andam em falta no mercado. No entanto, Pietro Novellino acredita que esse déficit de profissionais se dá na rede pública e, principalmente, em cidades longe dos grandes centros, que, geralmente, oferecem salários inferiores.
“O governo deve fazer uma reformulação, pois a Pediatria, uma especialidade que requer longo tempo de formação, tem uma remuneração que não é satisfatória. E isso ocorre com outras áreas. Os médicos se concentram mais nos seus consultórios, o que gera um déficit no serviço público. Na Medicina particular, embora tenha diminuído o número de pediatras, ainda tem um percentual significativo. Com alguns procedimentos clínicos, eles já conseguem atingir o que ganhariam na carreira pública. Temos que arranjar uma forma alternativa para suprir essa carência de profissionais.”
Alberto Corona/Assessor de imprensa da Unigranrio

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